O momento em que te tornas um Car Guy

Carros. Para 99% das pessoas neste mundo, são nada mais que uma ferramenta. Uma ferramenta que te leva do ponto A ao ponto B, da maneira mais confortável e prática possível, enquanto poupa tempo e dinheiro ao utilizador.

Mas, para as maiorias, existem sempre minorias. E a pessoa que está a ler isto é, muito provavelmente, parte dessa minoria, o car guy.

Megane MK3 RS no pitlane do Circuito Vasco Sameiro, em Braga

Aquela pessoa que não quer o conforto e a praticalidade como prioridades, e não vê o carro como uma ferramenta para ir de A a B, mas sim o indivíduo que vê o automóvel como um brinquedo, uma forma de diversão.

E para todos os car guys, existe aquele momento em que, tal como um jovem adolescente na primeira vez que olha para uma rapariga de forma diferente, começa a olhar para os carros de forma diferente. E acho que muitos de vocês leem isto e lembram-se desse momento chave nas vossas vidas, em que perceberam que estas máquinas de 4 rodas eram importantes.

Eu vou ser honesto, nos primeiros anos da minha vida, nem sequer sabia o que era um carro. Não tinha interesse absolutamente nenhum neles. E para além do Clio I 1,2 dos meus pais, e a ocasional viagem na Renault Express da empresa onde o meu pai trabalhava, não conhecia nada de carros.

Clio Mk1, igual ao dos meus pais.

Mas, numa quente sexta-feira de Julho de 2004, tudo isso mudou.

O meu pai, nesta altura vendedor do concessionário local da Renault, recebeu em retoma de um carro novo, um Subaru Impreza WRX de 1999. Como era comum na altura, o carro novo era entregue em casa do cliente, por isso era normal ver o meu pai a chegar a casa com diferentes carros, fossem eles novos ou usados.

E foi aí que história levou uma reviravolta repentina.

Este carro, para mim nesse momento, era um carro em nada diferente dos outros. Tirando as jantes douradas, não tinha nada que chamasse a atenção deste rapaz com 10 anos…

No final deste dia fomos ao supermercado. O que era estranho na altura. Mas implicava ir no Subaru por ser longe. E foi aí que história levou uma reviravolta repentina.

No momento em que o meu pai ligou este carro de jantes douradas, eu percebi logo que era diferente do que estava habituado. Sentia as vibrações, o som do motor ecoava pela rua com um som profundo, quase como se de um carro de competição se tratasse. E em andamento, o carro queria andar, muito diferente da aceleração sem pressas dos carros a que estava habituado.

E ao contrário do que seria de esperar para mim nesta altura, as vibrações e o som mudaram algo em mim. Tal como o adolescente na sua fase de mudança, comecei a apreciar o carro de forma diferente, e o facto de que os carros não serem eletrodomésticos, para te levar de A a B, mas conseguiam ser…divertidos!