The fastest car… IN THE WORLD!

Isto, é um Renault Clio 1.2 RT de 1991 e até 2015, este era o carro mais rápido do mundo. Confuso?

Até 2015, este era o único carro que eu tinha conduzido.

Eu nasci a gostar de carros. Está me no sangue. O Clio é uma parte importante da minha história.

Foi o primeiro carro que conduzi (vamos deixar de fora a playstation e hotwheels) e a sua história é simples. Chegou a família quando eu ainda era criança, foi comprado pelo meu avô quando eu ainda era pequeno como “carro de domingo”. Com o tempo e com o agravar da idade o avô conduzia cada vez menos e o Clio era conduzido cada vez menos.

Assim, era necessário de vez em quando dar a “voltinha para não estragar” e assim que consegui chegar aos pedais implorei a minha mãe que a tal voltinha fosse sinónimo de “aulas de condução”. Isto deu-se pela altura que tinha 14 anos (quando eu tinha 14, o Clio tinha meia dúzia de anos mais).

Todos os domingos, ao longo de dois anos, aperfeiçoei as componentes da condução, estacionar, percepções do carro, pontos de embraiagem, etc…

Algumas lições mais fáceis e outras mais difíceis, aprender num carro completamente analógico foi uma escola brutal tudo o que se seguiu.

Cada vez me sentia mais confiante e com a confiança, vem o desejo de ir mais rápido, mais longe….

Como não tinha carta, 99% da minha condução era feita fora de estrada (leia-se terra batida). Junta-se a isto umas jantes 13″ com pneu norauto e muita vontade de andar depressa e a equação resulta numa aprendizagem súbita e inata dos termos subviragem e sobreviragem.

A sensação era viciante. Os 58cv pareciam 580. A terra não é como o asfalto. É um elemento imperdoável, qualquer input, qualquer movimento mínimo no volante e pedais é transmitido a carroçaria e no entanto há tempo para tudo.
As derrapagens são progressivas e os limites, em vez de serem a parede de betão que encontramos no asfalto, são um liquido fluido no qual há margem para perceber e corrigir antes que tudo seja demasiado tarde.

Foram horas e horas de pura diversão ao volante do Clio, de pura aprendizagem.
Foge de frente: aprende a modular acelerador.
Foge de frente: aprende a fazer trail braking.
Foge de traseira, aprende a contra-brecar.

Erros foram cometidos (nas suas maiores vitimas, um para choques frontal), gargalhadas foram dadas, muita gasolina foi gasta.

Este foi o carro onde tudo começou, este foi o carro que mais gozo me deu e este foi, durante muito tempo, o carro mais rápido do mundo. Por muito que tente nunca vou conseguir explicar o que se sente ao volante de um carro que custa menos que um ordenado por isso deixo um conselho. Se puderem, fujam da selva urbana, comprem um chasso e ataquem uma estrada de terra como se estivessem no WRC. Não se vão arrepender.

O meu nome é Marcos, e eu gosto de carros.

Em 2015 deixava o Clio para trás mas as aventuras continuaram…

Bem vindos à Backroad Society Portugal.